Grandes Astros: Superman

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A HQ

Sem sombra de dúvidas é uma das melhores e mais gratificante história do Azulão de todas que já tive o prazer de ler. All Star – Superman é um grande clássico que conta com arte de Frank Quitely e roteiro de Grant Morrison. Chegou a receber merecidamente o prêmio Eisner Award (um tipo de Oscar dos quadrinhos).

A trama se divide em 12 edições e a leitura ficou rápida por causa das poucas páginas que cada revista possui (deve ter sido muito ruim esperar esse tempo todo para completar a coleção).

A arte de Frank Quitely é densa num estilo cru e fora do comum. Enquanto seus heróis possuem um porte altivo e elegante em contra partida visualmente suas mulheres não são nada atrativas (foi a primeira vez que vi Lois ficar tão feia).

O roteiro de Grant Morrison a primeira vista parece muito simples, mas na verdade é absurdamente complexo. Se a história principal se concentra na morte do Azulão causada propositalmente pelo careca Lex Luthor (o herói num resgate se aproximou demais do sol ficando com seu corpo saturado de energia).

Aqui temos uma alusão a mitologia grega com Kal tentando realizar 12 trabalhos para ficarem como legado pro futuro da humanidade (seu desenrolar é repleto de referências a personagens e histórias do herói ao longo das décadas).

Lembrando que o Azulão está bem diferente usando o uniforme indestrutível, pois a sunga ficou parecendo um short e a capa diminuiu.

O fato é que foi baseado no Superman da Era de Prata algo entre os anos 50 e 60 (se não me engano). Numa versão mais inteligente e complacente que difere demais daquele que acompanhamos atualmente. Eu ainda cheguei a ler alguns gibis deste período com o Azulão que podia viajar no tempo apenas voando, a Fortaleza da Solidão com aquela chave dourada enorme, aonde tinha vários super robôs do herói, diversas kriptonitas coloridas e a cidade engarrafada de Kandor.

E se não me engano havia umas coisas bizarras como os superanimais (Krypto, Beepo, Rajado e Cometa) e também a participação do kriptoniano, com Batman e Robin no gibi World’s Finest em aventuras pra lá de surreais. Eu não posso esquecer que esse período é marcado pelo surgimento da Supergirl (Kara Zor-El) e do Superboy geralmente com aventuras em Pequenópolis (Smallville hoje em dia).

Outro fato marcante é que Pete Ross era seu melhor amigo e confidente, em Smallville.  Enquanto Lex e Clark já se conheciam crescendo juntos (foi quando Lex perdeu os cabelos ruivos ficando careca devido a um experimento culpando o Garoto de Aço pela tragédia).  Fora isso ainda haviam mais inimigos como Brainiac, Bizarro n° 1, Homem de Kriptonita e a Legião dos Supervilões.

No amor tanto Lois Lane quanto Lana Lang e Lori Lemaris dividiam a atenção e a afeição do Homem do Amanhã. Jimmy Olsen se consolidou como ajudante do Azulão enchendo a paciência com aquele relógio sinalizador pra tira-lo de alguma enrascada (aqui temos até uma transformação bizarra sendo uma homenagem para aquelas que aconteciam nesta época).

Pra fechar o editor Julius Schwartz, o escritor Otto Binder, os artistas Win Mortimer, Murphy Anderson e Curt Swan tiveram o privilégio de trabalhar com o Super e marcar para sempre fatos que repercutem até hoje nas histórias do herói. Aliás Curt Swan é o artista que mais trabalhou nas edições do Homem de Aço tendo criado seu visual definitivo.

Voltando, a narrativa se concentra em mostrar um Clark Kent atrapalhado como pessoa, mas eficiente com as palavras (demonstrando aquela diferença básica entre Superman e Clark na maneira de agir e se comportar).

Fica evidente o assombro de Lois quando ele revela sua verdadeira identidade causando um tipo de D.R. (discutindo a relação algo que a grande maioria das mulheres adora fazer).

Além dos principais Lois e Jimmy houve até um espaço maior para seus colegas de equipe aparecer desde seu chefe Perry White que brada pra caramba, a caçadora de homens Cat Grant e o convencido do Steve Lombard (um mala sem alça difícil de carregar).

A HQ é um prato cheio pra mim, porque possui diversos assuntos interessantes como a Tropa Superman composta pelo Superman da Quinta Dimensão, Superman Desconhecido de 4. 500 DC, Superman de 853. 500 D.C e pelo próprio Azulão numa versão futura (quantas histórias deste grupo poderiam ser exploradas?).

Outras aventuras merecem destaque como aquela que aconteceu no mundo bizarro chegante até a me dar dor de cabeça pra entender aquilo tudo dito ao contrário e o Zibarro é uma analogia ao próprio Azulão.

Enquanto, Bar-El e Lilo serviram somente pra comprovar que Kal justamente por ter convivido com aquela educação moral rígida e vida simples que veio de Jonathan e Martha cresceu associando os costumes da humanidade, pois senão iria impor sua superioridade sobre todos nós (tornando-se um ditador tirano).

Mais sinceramente o que me deixou estupefato foi o Superman ter criado um planeta Terra. Isto é a nossa realidade apenas pra saber como seria um mundo aonde ele não existisse (é pra deixar qualquer um pirado).

A HQ é empolgante por se tratar de uma narrativa com diálogos inteligentes envolvendo muita teoria científica numa trama que preza toda mitologia do Superman.

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DVD

Como sintetizar 12 edições num DVD de apenas 75 minutos? A tarefa não foi nada simples, pois a história original é bastante rica e intensa. Aqui optaram não se basear no trabalho de Frank Quitely pra arte do DVD (pra ser sincero ficou melhor).

Só pra constar temos apenas figurinhas carimbadas nesta produção como Bruce Timm, Sam Register, Dwayne McDuffie e principalmente a trilha sonora composta por Christopher Drake que ficou magnífica. Acentuando os momentos de ação importantes e ajudando a imprimir aquele significado de herói nas atitudes do Azulão.

Quem leu o gibi sabe que possui diversos desdobramentos de subtramas sendo mostrados. Então nós sabemos que não conseguiriam adaptar tudo resultando em cortes que as vezes ficavam totalmente sem nexo de tão grosseiros.

No entanto se nos atermos no geral conseguiram demonstrar algo fantástico.  Mantiveram a fidelidade ao gibi, mas infelizmente perderam algumas coisas cruciais pelo caminho como a passagem da Tropa Superman enfrentando o Cronóvoro e por consequência a perda de Jonathan, um momento muito triste e significativo.

E temos também uma cena semelhante quando Clark “desmaia” no Planeta Diário tendo uma experiência no além vida encontrando Jor-El e tendo que fazer uma escolha crucial (finalmente descansar ou voltar pra salva  o dia novamente).

Será que alguém notou caras mais chatos e pretensiosos que Atlas e Sansão? E será que somente eu achei ridícula a pergunta da Ultra-Esfinge que parecia ser algum enigma tipo caramba e no final das contas era apenas sobre um carro?

Bom, pra ser sincero apesar das poucas cenas de ação a preocupação aqui é a de revelar o ideal heroico de Kal e tudo que representa (até mesmo seu maior arqui-inimigo caiu em si constatando tal fato). Por se basear numa versão antiga do herói a história poderia até ser pedante pra quem procuram só batalhas e explosões, mas o nível aqui é outro.

Sua ação é lenta não há muitas cenas empolgantes e seu enredo é feito pra gente pensar (não que isso seja ruim, pois pra mim é justamente seu maior ponto positivo).

É claro que os melhores aspectos foram mostrados como o Azulão estar morrendo, a Lois ganhando superpoderes, aquele velho embate ideológico entre Lex e Superman que ganhou ares até de filosofia.

Aliás as divergências entre eles são momentos cruciais da narrativa como quando Lex comenta sobre justiça, honra e verdade. Sentimentos abstratos que não podemos medir ou tocar, mas que definem tudo aquilo que o Homem de Aço representa.

Ou ainda quando Lex tem consciência da teoria do campo unificado, a qual diz que tudo no universo está conectado (algo que Thanos já havia presenciado quando absorveu o poder total).

No final fica subentendido que “talvez” Kal não tenha morrido, pois está apenas consertando o sol (pra mim suponho que ficou igual a DC: Um Milhão, na qual estava descansando por lá durante séculos, quem sabe?)

Grandes Astros: Superman nos envolve pelo drama pessoal no qual o herói passa seus últimos momentos de vida. Uma situação que normalmente não estamos acostumados a vê-lo demonstrar (sua fragilidade diante da morte inevitável).

 

 

 

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Filed under Grandes Astros: Superman

2 responses to “Grandes Astros: Superman

  1. Na história da esfinge, é utilizada o paradoxo da força irresistível. Lembra do desenho dos cavaleiros do Zodíaco, durante o Torneio Galático, entre o Seiya e o Shiryu? O Cavaleiro de Dragão tem o soco mais forte e o Escudo Indestrutível? O que acontece quando eles se encontram? No entanto em All Star o resultado é o oposto do que no anime.

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