Rei Arthur – Parte 1

távola-redonda

O mito de Arthur “talvez” tenha sido influenciado pelos relatos da existência do líder guerreiro Ambrosius Aurelianos que pode ter sido um descendente da aristocracia romana. Por ele ter êxito em grandiosas batalhas agindo em defesa dos bretões e vencendo os invasores saxões, no século V.

Desde então ao longo dos séculos pela tradição oral suas história foram sendo passadas de pai pra filho. Até que com o advento da escrita e dos livros surgiram os escritores que perpetuaram pra sempre as lendas arturianas.

De início escritores como Geoffrey de Monmouth (História dos Reis Britânicos) que foi o primeiro a relatar a “possível” existência de Arthur dando origem ao estilo de romance de cavalaria.

Chrétien de Troyes (Lancelot e Conto do Graal), Thomas Mallory ( no famoso A Morte de Arthur), T.H. White (A Espada era a Lei que virou desenho da Disney) e atualmente Marion Zimmer (As Brumas de Avalon) e Bernard Cornwell (As Crônicas do Rei Arthur).

Eu não vou me estender muito por esta parte já que não conheço tanto assim, então chega de enrolar e vamos ao que interessa.

rei arthur desenho anos 80

Rei Arthur-  Toei Animation

Exibido pelo SBT lá na distante década de 80. É um dos melhores desenhos que já assisti, pois adaptava a lenda no formato made in japan (isto é, com uma qualidade extraordinária).

O Rei Levik mancomunado com a bruxa Morgana havia assassinado o Rei Uther e sua esposa Lady Igraine cobiçando assumir o trono de Camelot (e colocando a culpa em outro monarca). Arthur havia sido salvo da morte pelo mago Merlin que deixou o menino aos cuidados de um cavaleiro fiel que o criou como filho.

Arthur cresceu humilde e após alguns anos foi assistir um torneio convocando todos os aldeões no qual seria escolhido o novo rei que conseguisse retirar a espada da bigorna.

Quando o jovem Arthur retirou a espada da bigorna teve logo a aclamação do povo, mas teve que lutar bastante contra todos os problemas que encontrava para finalmente ficar no trono. Arthur agia montado em seu cavalo Pegasus e usando a espada Excalibur defendia Camelot ao lado dos Cavaleiros da Távola Redonda: Tristan, Lancelot, Pelóia, Percival e Key (lutando contra a tirania do Rei Levik).

Os episódios misturavam drama, aventura e um pouco de violência aquilo que há de melhor num anime.

Durante a segunda temporada Arthur viaja pelo reino querendo conhecer mais seu povo e o que acontece nele. Para não ser reconhecido age disfarçado com o nome de O Príncipe do Cavalo Branco lutando contra o Rei Vicking (que na verdade é Levik que não estava morto).

O anime do Rei Arthur é um dos quais eu não consigo retirar da memória, é por causa dele que eu gosto tanto da lenda e coloquei o nome do meu filho de Arthur.

Camelot 3000

Camelot 3000 – HQ

A história de Arthur foi descrita por vários autores, mas é com “A Morte de Arthur” escrita por Sir Thomas Malory, no século XV que foi considerada como a sua “versão oficial”.

O livro foi publicado em 1485, mas foi escrito em 1469, quando o autor estava preso em Londres. Sua versão é baseada nos livros de origem francesa do século XIII (como Lancelote-Graal e Tristão e Isolda). O mito é o maior e mais famoso conjunto de lendas medievais de todos os tempos.

A melhor coisa no roteiro de Mike W. Barr foi que conseguiu adaptar a lenda descrita no livro de Thomas Mallory e conecta-la neste futuro apocalíptico brindando-nos com uma história de perspectiva adulta.

Pra completar a arte de Brian Bolland é bastante detalhada e a mistura de cores frias ajuda nossa viagem unindo-se ao tom sombrio da trama.

O gibi é um daqueles clássicos que depois de ler você jamais irá esquecer, quando a história foi publicada pela primeira vez ficou diluída nas edições de linha dos SuperAmigos e Batman mais ou menos entre 1984 e 1985 (depois foi relançada na integra ao longo dos anos).

A revista marcou época por abordar questões polêmicas como homossexualismo, corrupção, continha cenas de nudez e isto lá no início dos anos 80.

Obviamente há uma homenagem para o escritor Thomas Mallory sendo introduzido na trama como o personagem Tom. No gibi a Terra estava sofrendo uma invasão alienígena e presenciamos a perda dos pais do jovem em Londres. Ao fugir pro Monte Glastonbury é perseguido por aliens e encontra perplexo o esquife de Arthur (ao abri-lo para se safar desperta o mítico rei do sono secular e assim a aventura começa).

Arthur busca por Merlin e também por seus aliados da Távola Redonda, mas todos reencarnaram com pouquíssimas alterações. Enquanto na trama o famoso triângulo amoroso foi mantido dando um drama maior as intenções maléfica de Morgana Le Fay.

Por outro lado ficou interessante ver Sir Tristão reencarnando num corpo feminino e sua luta pessoal em rever sua sexualidade para aceitar o amor de Isolda (lembro até que Tom curte uma paixão não correspondida por Lady Tristã). Outro que sofreu bastante foi Sir Percival que fora transformado num Neo-Humano, ser gigante geneticamente alterado.

Aliás todos os cavaleiros que restaram que antigamente eram cem, mas diminuíram para seis foram alterados e presenciamos suas angústias e frustrações em vários lugares do mundo. França: Sir Lancelot (numa questão entre defender seu rei e ouvir seu coração), Estados Unidos: Guinevere (idem) e no mesmo país: Sir Kay (ladrão e alívio cômico da história), Japão: Sir Galahad (um samurai que ia cometer harakiri), África do Sul: Sir Gawain (que teve que abandonar sua família), Canadá: Sir Tristão (uma mulher) e Austrália: Sir Percival (um condenado transformado).

Os vilões como não poderiam deixar de ser são Morgana Le Fay e o diretor de segurança da ONU Jordan Matthew (quem?), a reencarnação de Mordred.

Criada num ritmo de ficção científica, contendo personagens cativantes, falando de política, corrupção, intrigas e guerra temos tudo isso misturado numa história bem conduzida. Camelot 3000 é a releitura mais empolgante sobre o mito de Arthur nos gibis que conseguiram fazer.

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Excalibur – 1981

O filme de John Boorman, é uma adaptação totalmente fiel ao que está escrito no livro de Thomas Mallory. Então temos todos aqueles elementos da literatura medieval como honra, coragem e cavalheirismo tornando nossa viagem mais prazerosa.

No filme Uther Pendragon (Gabriel Byrne), graças a intervenção do Mago Merlin (Nicol Williamson) consegue a mítica espada Excalibur tornando-se rei. Porém acaba se apaixonando perdidamente por Lady Igrayne, esposa do seu inimigo Lord Titangel.

Num estratagema bem planejado Uther ordena que o Lord vá viajar pra longe deixando seu castelo protegido apenas por alguns soldados e pede para Merlin disfarça-lo de Titangel. Porém como trato Merlin pede ao criança que irá nascer como pagamento do trato.

Feito isso Uther com a aparência mudada possui seu afeto que algum tempo depois dá a luz um menino (que fica sob os cuidados do Mago). Só que Uther acaba sendo mortalmente ferido pelos soldados leais do Lord, mas antes de morrer crava Excalibur numa pedra.

A Inglaterra ficou sem rei, pois somente quem conseguir retirar a espada da pedra será digno de subir ao trono. O país ficou dividido pela ausência do seu soberano com diversos cavaleiros disputando a posse da espada, mas Arthur, um jovem escudeiro é auxiliado por Merlin e consegue retirar Excalibur da pedra sagrando-se rei.

A parte interessante é notar as intrigas e traições existentes nas intenções de Morgana (Helen Mirren). Ela se disfarça de Guinevere para deitar com Arthur afim de gerar um filho e acaba conseguindo. Sua verdadeira intenção é que seu filho Mordred (Robert Addie) ocupe o trono no lugar de seu meio-irmão.

E também temos uma forte demonstração de amizade entre Arthur (Nigel Terry) e Lancelot (Nicholas Clay), mas a relação amorosa entre Guinevere (Cherie Lunghi) e Lancelot  acabam desestruturando tanto Arthur quanto ao reino.

O que me impressionou bastante nesta versão foi sua maravilhosa fotografia que nos ajudava a entrar no clima de mistério e magia que havia no filme.

Excalibur é um filme obrigatório pra quem curte o mito e também pra quem ainda não conhece, pois a aventura é tão gratificante que você nunca mais irá esquecer.

lancelot

Lancelot, o Primeiro Cavaleiro – 1995

Eu sinceramente não consegui ver nada de interessante nesta releitura da lenda. É claro que a presença do eterno James Bond Sir Sean Connery, aqui interpretando um Rei Arthur já idoso (é simplesmente fantástica).

Mais mesmo assim não gosto desta exaustiva exploração do triângulo amoroso tantas vezes mostrado. A amizade que havia entre Arthur e Sir Lancelot (Richard Gere) também é dinâmica, porém fica subentendido que Arthur não perderá tão fácil seu amor e o poder.

Guinevere (Julia Ormond) foi prometida ao rei Arthur para que ele protegesse o seu país contra as tropas do sinistro Malavant. Seu casamento ia muito bem, mas a chegada do mais novo cavaleiro da corte de Camelot despertou-lhe uma paixão poderosamente avassaladora.

Enquanto Lancelot fica dividido entre a lealdade para com seu rei e preso as vontades do seu coração por conta do amor pela rainha.

Então somos apresentados a esta história que envolve amor, cavalaria, traição e um romance praticamente “impossível”.

Recomendo apenas pra quem gosta de filme mamão com açúcar, porque de resto não há mais nada de empolgante (não temos Merlin ou Morgana ou qualquer outra coisa equivalente).

Foi a melhor releitura deste triângulo amoroso, mas eu simplesmente detesto isso tudo. Não pela traição em si, porque o contexto é bem mostrado neste filme (só que já exploraram este filão tantas vez que pra mim não vejo mais graça nenhuma).

Até a segunda parte.

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