Category Archives: LJA: Torre de Babel

LJA: Torre de Babel

lja-torre-de-babel

A edição DC Comics Coleção de Graphic Novels relançou a história que nomeia este texto. E também desenterrou lá do fundo baú, The Brave and The Bold # 28 que conta como foi a primeira aventura da equipe, lá nos anos 60.

Bom, não é por menos que Torre de Babel consta como uma das maiores e melhores histórias da LJA de todos os tempos. O roteiro do consagrado Mark Waid feito na companhia de Dan Curtis Johnson é complexo, denso e totalmente psicológico.

Bruce sempre foi um dos aliados mais confiáveis da equipe, mas aqui este status quo foi modificado drasticamente. Vemos o Batman como um homem frio, calculista e que não mede esforços pra concluir seus objetivos.

Presenciamos também até onde pode ir aquela obsessão do Batman e seu medo ao estar na companhia dos heróis com poderes incomparáveis pra qualquer ser humano.

Na intenção de contê-los “caso futuramente” algum inimigo domine suas mentes, Bruce arranja formas de deter e anular os superpoderes de todo os seus “amigos” da Liga.

A parte mais importante pra se notar na narrativa é a forma como ele pesquisou isso tudo (agindo de forma sutil durante as conversas e convivência na Torre de Vigilância).

Contra o Caçador de Marte usa nanitas transformando numa Tocha Humana, contra o Aquaman utiliza gás do medo surgindo uma fobia mortal contra água e pra piorar pra deter o Azulão cria uma kriptonita sintética causando-lhe uma dor excruciante.

O fato do Batman pensar nestas medidas “talvez” não tenha sido tão ruim, pois ele se propõe estar preparado pra tudo que possa acontecer. No entanto Ra’s Al Ghul arranjou uma maneira de hackear e roubar estes planos (e utiliza-los com intenções catastróficas).

Pra mim o Cabeça de Demônio é o pior inimigo do Morcego (deixando até o Coringa no chinelo). Por mais que a mente doentia do Sr. C. queira sempre chamar a atenção do Batman ou deturpar tudo que ele representa.

Com Ra’s a situação muda de figura, pois ele está querendo exterminar mais da metade da raça humana  que polui e destrói a natureza (pra depois comandá-la como bem entender).

Seu plano de dominação é transmitir um sinal causando uma afasia universal (fazendo com que todos percam a compreensão de uma língua).  O caos espalhado pelo mundo pode provocar uma guerra global e devastadora pra toda humanidade (foi algo astutamente bem arquitetado).

Lembrando que esta história surgiu no período em que a Liga voltou a fazer sucesso entre os leitores. Graças aos roteiros de Grant Morrison e a arte estilizada de Howard Porter, em 2000.

Confesso que torci o nariz pro trabalho de Porter naquela época, mas seu estilo dinâmico e bastante detalhado despertou minha atenção. Outra parte importante é que as cores sombrias ajudaram a dar o tom opressivo da trama.

Voltando, e ainda temos a bela Talia que se divide entre a ideologia do seu pai e o amor que sente por Bruce. Quando ela entrou na Torre checando que ninguém estaria presente, driblando os sistemas de monitoramento e disfarçada de Mulher Maravilha (foi sensacional).

Houve duas cenas impactantes em Torre de Babel. A primeira mostrou o Superman esperando por Bruce no céu de braços cruzados e todo carrancudo. E a segunda logo após a reunião dos integrantes pra saber se Batman permaneceria na equipe (é um final sinistro pra uma história impactante).

Notei que durante a reunião a pior coisa pra Liga que sempre agiu na base da confiança entre seus membros. Foi saber que o integrante mais importante deles os traiu em seus momentos de companheirismo e tranquilidade.

Seu maior inimigo estava ali o tempo todo e ninguém poderia suspeitar disto. Pra se ter uma noção a situação ficou tão pesada que até  o Homem-Borracha não quis fazer suas piadinhas (uma característica comum de sua personalidade).

LJA: Torre de Babel é uma daquelas histórias emocionantes que após você ler nunca mais em sua vida conseguirá esquecer.

Lembrando que em 2012 tivemos uma adaptação direto pra DVD desta HQ. O nome ficou Liga da Justiça: A Legião do Mal (Justice League: Doom, no original) e o vilão foi mudado por outro imortal Vandal Savage.

Como na história original Savage pretende exterminar a maior parte da humanidade para deixa-la sob seu comando. E tenta manter a Liga fora do seu caminho antes de concretizar sua dominação.

Savage contrata alguns vilões para deter a equipe sendo cada um deles o pior inimigo de cada herói da LJA: Bane  (Batman), Mulher Leopardo (Diana), Metallo (Superman), Mestre dos Espelhos (Flash) e Safira Estrela (Lanterna Verde).

Podemos notar que há uma grande diferença, pois é o Mestre dos Espelhos quem rouba os arquivos do Batcomputador no lugar da Talia (que era no gibi). E quem salva a pátria é o Cyborgue ajudando a equipe a se livrar do ataque de Savage.

Apesar das mudanças o DVD ficou sensacional repleto de cenas de ação impactantes e vale a pena assisti-lo mesmo que seja só por curiosidade.

lja-brave-and-bold-28

A edição fecha com a clássica The Brave and The Bold # 28 que narra a origem da Liga enfrentando Starro, O Conquistador!

Este é um dos vilões mais idiotas que já vi nos gibis, pois trata-se de uma estrela-do-mar superdesenvolvida que domina a mente das pessoas. Talvez nos anos 60 fosse até legal, mas atualmente é horrível.

O roteiro é do renomado Gardner Fox que primeiro nos presenteou com a Sociedade da Justiça e depois com a LJA. A história é muito simples mostrando como Ajax, Mulher-Maravilha, Lanterna Verde, Flash e Aquaman tiveram que impedir aquela ameaça.

Apesar de Superman e Batman aparecerem na aventura e serem incluídos como membros (eles não participam do combate contra o vilão).

Como curiosidade quero destacar que os heróis eram totalmente diferentes naquele período. Vemos Steve Trevor pedindo a Mulher-Maravilha em casamento. Ela controla mentalmente o Avião Invisível e seus braceletes são feitos de Amazônio (um  metal indestrutível que lembra o Adamantium nos gibis da Marvel).

Temos o Arthur com seu uniforme original com luvas amarelas, Barry como líder da equipe e também presenciamos a introdução do Snapper Carr, um ajudante da Liga quando o QG era em Happy Harbor.

Aliás Snapper é homenageado na série animada da Liga aparecendo diversas vezes como repórter de TV. E só pra constar Happy Harbor também é o QG da Justiça Jovem, no desenho de 2011.

Bom, devido aquela época inocente a HQ não apresenta nada demais, pois fica se preocupando apenas em mostrar as ações dos heróis para enfrentar Starro.

Sinceramente vale apenas como nostalgia, porque não sei  qual foi o motivo que puseram-na nesta edição (destoando demais da primeira história) .

Ober un evezhiadenn

Filed under LJA: Torre de Babel