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O Reino do Amanhã

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Kingdom Come (no original em inglês) foi uma minissérie originalmente  lançada em 4 edições, no ano de 1996.

Depois, em 2004 tivemos o relançamento de um encadernado mostrando um epílogo exclusivo (e algumas artes conceituais dos personagens de Alex Ross).

Por último, em 2013, a Panini Comics lançou uma edição definitiva com a incrível quantidade de 304 páginas (deve estar recheada de extras).

Perto de comemorar 20 anos tempo no qual o enredo se desenrola. Este clássico ainda é uma das melhores edições que já tive o prazer de ler na minha vida.

Obra-prima máxima da dupla Alex Ross responsável pela arte e do escritor Mark Waid demonstra um futuro apocalíptico pro panteão da DC Comics.

O Reino do Amanhã é uma daquelas raras ocasiões em que o roteiro e a arte se igualam de uma maneira espetacular. Ficou impecável, porque o clima da história é denso, sombrio, catastrófico e assustador.

A incrível arte hiper-realista e detalhada de Ross é um deleite a parte. Seja na aparência dos personagens, suas roupas e os cenários impressionam bastante pela caracterização (eu nunca canso de ficar estupefato ao contemplar seu trabalho).

Em Marvels temos o surgimento do Universo Marvel visto pelos olhos do fotógrafo Phil Sheldon e como as maravilhas influenciavam a vida da população.

Neste gibi a trama mostra, o pastor Norman McCay sofrendo com a revelação do fim dos tempos herdada com a morte de Wesley Dodds, o Sandman da década de 40. Ele é auxiliado em sua cruzada pelo Espectro (Jim Corrigan).

No passado o Coringa havia assassinado todos os funcionários do Planeta Diário. O Azulão e Magog saíram em sua caçada, porém Magog encontrou o Sr. C primeiro e matou o vilão friamente sem pensar duas vezes.

No julgamento, Magog foi absolvido pela população. Essa aclamação foi algo que deixou o Super muito cabisbaixo retirando-se pro exílio.

Num futuro próximo Superman está aposentado em sua fazenda no Kansas.

E a população meta humana cresceu ultrapassando os limites, então por todos os lados vemos heróis e vilões lutando em batalhas altamente destrutivas sem se importar com o resto da humanidade.

Fato que obriga alguns heróis que haviam se aposentado retirarem o pó de seus uniformes e voltarem pra ativa. Na intenção de combater os atos extremamente violentos dos seus sucessores.

A premissa dos super-heróis mais violentos é um foco da narrativa, pois o mercado americano da época era recheado de personagens assim (lembrando que isso aconteceu nos anos 90).

Logo na primeira página temos a imagem de uma águia e um morcego que pra mim parecia simbolizar a luta idealista entre Batman e Superman visto que eles sempre divergiam no modo de agir e pensar.

Depois soubemos que a luta era entre Diana e Bruce. Diana estava sendo consumida pela ira, porque havia sido expulsa de Themyscira. Sendo que sua missão como embaixadora da paz foi um fracasso total.

A parte interessante  é que os personagens tiveram um breve romance que rolou nas HQs e foi insinuado até na série animada da Liga da Justiça.

A DC tem a tradição do legado e aqui vemos vários filhos de heróis usando o manto de seus antecessores como:  Lightning – filha do Raio Negro, Aleea Strange – filha do Adam Strange com Alanna Strange, Zatara II – filho de Zatanna e neto do Zatara original, Canário Negro III – filha de Oliver Queen e Dinah Lance, Avia – filha da Grande Barda com o Senhor Milagre, Flash IV – filha Wally West com Linda Park entre vários outros personagens.

Uma curiosidade é o fato do possível romance entre os filhos de Batman e Robin respectivamente IB’N AL XU’FFASH, filho de Batman com Thalia surgido na HQ “O Filho do Demônio” e Nightstar, filha da Estelar com Dick Grayson surgida neste gibi.

Talvez seja uma ironia de Mark Waid por causa da repercussão negativa do famoso suposto caso homossexual entre Batman e Robin fomentado por Friedrich Wertham na década de 50 no famigerado livro “A Sedução do Inocente”.

Um dos melhores momentos desta HQ está na clássica luta entre Superman e Capitão Marvel, mas também recomendo a briga dos dois no desenho da Liga da Justiça “Embate”, no qual Lex Luthor cria um conjunto habitacional quando vira candidato a presidência dos Estados Unidos.

Alex Ross elevou o status quo dos quadrinhos a um novo patamar, pois seus personagens parecem vivos tornando assim nossa aventura mais emocionante.

As referências como não poderiam deixar de ser preenchem nossos olhos.  As quais destaco: as citações ao livro bíblico do Apocalipse, o uniforme do Superman inspirado nos desenhos de Max Fleischer da década de1940, Planet Krypton, um restaurante onde os garçons e as garçonetes se vestem de super-heróis.

Temos também uma homenagem a Legião dos Super Animais de Estimação, Cavaleiros-Morcego com capacidade de Transformers que foram inspirados no Batmóvel da década de 1940, a cantora Björk, o prédio da ONU inspirado na Sala de Justiça do antigo desenho Os Superamigos entre várias outras coisas.

Lembrando que o pastor Norman McCay  teve seus traços emprestados de Clark Norman Ross, pai de Alex Ross.

O Reino do Amanhã é uma história absurdamente emblemática sobre ideologia e redenção num possível futuro do UDC (que se não me engano estaria acontecendo este ano).

Ober un evezhiadenn

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